Encarando o mundo

Parte 05 de 08

Minha mãe entrou no quarto, abriu as cortinas e praticamente me obrigou a sair da cama. Nós duas, devidamente alimentadas, saímos para comprar uma peruca. No começo, para mim, ser careca é ser um quadro em branco, mas foi divertido experimentar novas formas e cores de cabelo. No final, escolhi uma peruca preta de corte chanel.

Ao sair da loja, fomos nos encontrar com Mauro para almoçar próximo ao trabalho dele e no caminho me deu uma onda de calor: a cabeça começou a suar e comentei com a minha mãe. A resposta dela foi “assume logo essa careca”. Subitamente, eu tirei a peruca ao descer do carro e após três passos com a careca exposta me dei conta da vergonha que estava prestes a passar. Logo quando sentamos na mesa do restaurante, o garçom veio nos atender, pediu licença e, antes de entregar o cardápio, olhou nos meus olhos e disse “você é uma das mulheres mais linda que eu já vi”. Naquele momento, eu fiquei paralisada por alguns segundos, dei um sorriso bobo e só depois reconheci como aquela gentileza me fortaleceu. Gosto de pensar que o que ele viu de bonito em mim foi a vontade de viver.

As sessões de quimioterapia se tornaram um verdadeiro martírio. Em dias de sessões de quimioterapia, eu passava a noite acordada, falando sem parar, com náuseas, dores de cabeça e um humor variando a cada segundo. Nem eu mesma me aguentava. Às vezes eu chegava a pensar que a doença nunca me deixaria em paz. Meu coração partia no meio quando eu parava para pensar que não seria capaz de acompanhar o crescimento do Pedro.

Ah! Quanto à festa de casamento, decidi ir. Fomos eu, o Pedrinho e o Mauro. Sim, antes que eu esqueça de dizer, fui sem peruca esbanjando beleza e confiança, usando um vestido longo azul turquesa. Continua sexta-feira.

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Essa narração é baseada nas histórias compartilhadas em nossa página no facebook.
Giovanna Gabriele – Médica Mastologista (11 3071 1812)



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